A história do Cinema… em óculos

Os óculos fazem parte da história do cinema e de algumas das suas personagens mais icónicas. A sétima arte anda quase sempre de mão dada com a moda nos looks mais modernos, nos penteados mais originais e também nos óculos graduados ou escuros que mais se destacam!

Ao longo de mais de um século de filmes, os óculos tornaram-se um acessório inesquecível na criação de muitas personagens. Recordamos aqui algumas delas – e alguns dos seus óculos mais extraordinários.

Do jornalista Clark Kent ao super-herói Super-Homem (1978) vai apenas um pequeno pormenor: um acessório muito especial que gera a confusão e os faz parecer duas pessoas diferentes. E este pormenor essencial é o seu par de óculos.

A moda em óculos sempre procurou espelhar-se no cinema, acompanhando as grandes estrelas no grande ecrã. É o caso de Ingrid Bergman, nos anos 40, que a preto e branco usou como acessório no filme Spellbound (1945) uns óculos de armação transparente e lentes arredondadas, ainda tendência nos looks contemporâneos.

Um ano depois seria uma personagem secundária, interpretada por Dorothy Malone em À Beira do Abismo (1946), a revelar um modelo bastante discreto e feminino, sem hastes. Ao retirar os óculos, revela um look irreconhecível que desperta o interesse de Humphrey Bogart no filme.

Os óculos como parte da acção do filme, e não só como acessório de uma personagem, encontram um bom exemplo no clássico O Desconhecido do Norte-Expresso (1951), onde os óculos graduados de uma mulher servem de espelho para o espectador assistir ao seu homicídio. 

Há, por outro lado, actores e actrizes que contribuíram para que usar óculos no dia-a-dia se tornasse uma moda, como Marilyn Monroe. Foi também a sua personagem em Como Se Conquista Um Milionário (1953) que elevou os óculos no look feminino, em particular o modelo “olho de gato”.

Já nos anos 60, a maior estrela de óculos de sol e na pele de uma personagem única e memorável foi Audrey Hepburn em Boneca de Luxo (1961), com o seu par de óculos bem escuros e compridos sobre o rosto, que assentavam na perfeição à actriz e à personagem.

Mas seria a jovem de 12 anos Sue Lyon a tornar os óculos ainda mais característicos no cartaz colorido de Lolita (1963), embora não surja com eles postos no filme. Destaca-se este inconfundível modelo de armação vermelha e lentes em forma de coração, muito ao estilo da história provocante e polémica do filme.

O estilo de óculos “nerd” existe em muitas personagens e muitos filmes na história do cinema, mas ganha outra dimensão no Jerry Lewis de As Noites Loucas do Dr. Jerryll (1963), onde os óculos pequenos e peculiares combinam na perfeição com a personalidade destrambelhada deste cientista maluco.

Em Annie Hall (1977), Diane Keaton mostra a sua versatilidade num look masculino onde os óculos são um acessório muito importante. Ao lado de Woody Allen, esta sua personagem tornar-se-ia uma das mais icónicas do cinema graças a este look singular.

A chegada dos anos 80 é acompanhada por uma série de tendências na moda em óculos, como os modelos redondos. A personagem de Harrison Ford em Indiana Jones: Os Salteadores da Arca Perdida (1981) usa-os enquanto dá aulas aos seus jovens alunos ou durante as suas perigosas aventuras.

Mas os anos 80 teriam ainda muito que contar sobre a moda no cinema. Em 1986, Top Gun – Ases Indomáveis traria para o estrelato Tom Cruise e os óculos “aviador”, perfeitos para um jovem piloto com muito carácter. Já em 1975, em Tubarão, Roy Schneider usara óculos “aviador” que mostravam a influência deste modelo na época.

A transição de século trouxe novas tendências para a moda em óculos, por exemplo com Matrix (1999). O look das personagens é tão icónico que a própria actriz Carrie-Anne Moss revela não conseguir usar óculos escuros: “Assim que os ponho, as pessoas reconhecem-me”.

Também a saga Harry Potter (desde 2001) tornou famosos os óculos do pequeno Harry, discretos e simples, com armação de ferro muito fina e lentes redondas. A personagem cresceu bastante ao longo dos filmes, mas os óculos mantiveram-se sempre à margem da passagem das modas.

No cinema mais contemporâneo, destaque para um filme direccionado para a moda, O Diabo veste Prada (2006), que concentrou na personagem Miranda Priestly os óculos mais fashion.

Mais recentemente, outra performance extraordinária de um par de óculos é em Her (2013), no rosto de Joaquin Phoenix. Um modelo discreto, que combina com todos os looks e bastante dentro das tendências actuais.

O cinema continuará a acompanhar a moda em óculos e a tornar os modelos ainda mais famosos. Por outro lado, os óculos continuarão também a tornar as personagens mais características.